Quinze pontos nas últimas cinco rodadas contra 14 nas 12 primeiras, demorou mas finalmente o Santos pegou no tranco, o estilo Leão de comandar uma equipe. Aos olhos de quem está distante a fama é de um técnico encrenqueiro que arruma confusão por qualquer motivo. No Santos 2008 motivos não faltam.
O Santos terminou o Campeonato Brasileiro de 2007 em segundo lugar, mais pela incompetência dos outros clubes do que por seus resultados. Nos últimos cinco jogos só ganhou do rebaixado Paraná Clube. A colocação lhe garantiu a vaga na Libertadores deste ano passando aos torcedores a expectativa de melhorias no elenco.
Fora de campo tudo também parecia animador, tanto que as promessas de campanha para o quinto mandato nas eleições de dezembro de Marcelo Teixera foram aceitas por 65% dos votantes que passaram pelas urnas. A renovação com o técnico Vanderlei Luxemburgo – que vinculou sua permanência a re-eleição – e a chegada de reforços “a nível de seleção” não aconteceram. E agora peixe?
A saída da comissão técnica mostrou que a “estrutura de primeiro mundo” possui alicerces muito frágeis e assim que Leão chegou aos Santos encontrou jogadores com contratos no fim, alguns com sérios problemas de contusão. Do time titular partiram Petkovic, Adaílton e Antônio Carlos, Pedrinho; Alessandro, Maldonado e Marcos Aurélio. Chegaram Evaldo (ex-Grêmio) e Marcinho Guerreiro (ex-Palmeiras) ambos repatriados da Ásia.
O nome para comandar a equipe era o mais provável. Leão aceitava pela terceira vez a missão de organizar um Santos que não teria contratações dispendiosas e deveria buscar na base seus reforços. As coisas também não estavam fáceis por lá. Com contratos a prestes a vencer e empresários ávidos por vender seus jogadores o técnico teve que rugir alto para segurar a molecada.
Os problemas subiram ao gramado. O time não se encontrava em campo e devido a postura de Leão em não poupar críticas as condições de trabalho e os resultados dos primeiros jogos a torcida e parte da diretoria começou a pedir a cabeça do treinador.
Agora a luta era contra todos. Parte da torcida cobrando a saída em todos os Santos rondando as últimas posições no jogo que finalmente se encontra em campo, no clássico contra o São Paulo a arbitragem, que anda muito mal no paulistão deste ano, decide a favor do tricolor.
O jogo seguinte era a estréia na Libertadores, contra a sensação do ano anterior, o Deportivo Cúcuta, que só caiu nas semi-finais para o Boca. O clube segurou um empate e pelo futebol que vinha apresentando foi um grande resultado.
Este jogo marcou a estréia de dois dos quatro estrangeiros que chegaram a Vila sem o aval do treinador. Molina, Quiñones, Tripodi e Pinto, um colombiano, equatoriano, argentino e chileno, respectivamente, que vieram devido a um acordo com um empresário que adquiriu o passe desses jogadores. Na falta de opções e com a possível experiência que podiam trazer a equipe nos jogos da competição sul-americana foram inscritos as pressas e lançados a campo poucos treinos depois.
Mesmo com os reforços e o resultado na Colômbiao Santos voltou mal para o Paulista. Foi a Rio Preto enfrentar o então lanterna do campeonato e cedeu a primeira vitória ao time do interior. Neste momento a diretoria sondou o técnico Cuca no Botafogo. Só esqueceram de pedir sigilo ao treinador, que cordialmente avisou Leão o que causou a fúria do treinador.
A tabela ajudava,os dois próximos jogos eram em casa contra times fracos. O treinador resolveu mudar o esquema da equipe e montou um time com três atacantes. Foram sete gols em dois jogos. A torcida organizada – que recebeu dinheiro de Vanderlei Luxemburgo, continuava pedido a demissão do treinador e depois da segunda vitória foi vaiada pelos restantes dos torcedores na Vila Belmiro. Leão ganhou naquele 4×1 contra o Ituano a confiança dos torcedores e principalmente dos jogadores.
Os desfalques, a volta a formação retranqueira e a apatia na derrota contra o Sertãozinho fora de casa ainda mostrava um Santos ainda com receio, ainda mais porque a próxima partida era a estréia em casa na Libertadores, contra o Chivas, o favorito no grupo 6.
Essa pressão e falta de credibilidade foi o ingrediente que faltava para a arrancada da equipe. O Santos venceu o líder do Campeonato Mexicano e assumia a liderança do grupo. No paulista saia as primeiras estatísticas de probabilidade de classificação. O Santos aparecia em 14, apenas duas posições fora da zona de rebaixamento e com apenas 1% de chances de classificação o desafio estava colocado e se deixar de vencer algum jogo está fora da competição.
A história recente do clube mostra que nesses momentos onde tudo parece perdido o Santos mostra vontade. Foi assim em 95 quando perdeu de 4 a 1 para o Fluminense e reverteu em 5 a 2 no jogo de volta, em 2002 quando se classificou em oitavo e chegou ao título, em 2004 ultrapassando o Atlético-PR na penúltima rodada e na final do Paulista do ano passado quando devolveu os dois gols no São Caetano.
O Santos venceu os cinco últimos jogos, todos por um gol de diferença e no último com um controversa ajuda do juiz e projeta duas vitórias nas próxima rodadas, contra Rio Claro – atual lanterna – e Ponte Preta – concorrente direta por uma vaga.
Só que a retrospectiva não é tão favorável assim. Nesses momentos em que tudo parece que vai dar certo o Santos comete erros inacreditáveis. Em 91 bastava um empate contra o Novo Horizontino para passar as finais, perdeu de 3 a 2 na Vila, Em 95 depois da virada para o Flu, a derrota para o Botafogo por 2 a 1 no Maracanã foi comemorada como título, se virou 4 a1 não vai conseguir uma vitória simples? Não conseguiu. Nas duas últimas participações na Libertadores o mesmo se repetiu uma derrota magra em Curitiba para o Atlético dava esperança para passagem às quartas perdeu por dois gols aqui.
Já contra o Grêmio ano passado a história foi outra. Reverter a vitória tricolor seria árdua. Sofreu um gol e precisava de quatro para se chegar a semi-final, conseguiu três mas não teve forças para chegar ao quarto.
Esse ano o Santos perdeu para o Rio Preto, Sertãozinho, Juventus, três dos cinco times que lutam para não cair. A “missão milagre” pode acontecer, mas qualquer resultado um dos resultados no Paulistão podem trazer conseqüências para a disputa no torneio continental.
A eliminação pode causar desconcentração para a equipe e o Santos precisa de cautela, pois precisa vencer os dois jogos que restam em casa e trazer ao menos um empate do México para não depender de nenhum resultado alheio. A passagem para as finais significará uma maratona de jogos. A primeira semi-final e no final de semana entre o jogo contra o Chivas e Cucuta. Se chegar à final do Paulista, ela terá dois jogos, que devem ser marcados nos dias 27 de abril e 4 de maio. Chegando à segunda fase da Libertadores, os jogos das oitavas-de-finais estão marcados para os dias 30 de abril e 7 de maio.
A torcida está apreensiva no ano que pode ser o do Tri (Paulista, Brasileiro e Libertadores) ou nada!