fev 10 2010
Assistimos calados a dicotomia do futebol
Esse texto já era para estar pronto a muito tempo e hoje resolvi soltar os dedos sobre o teclado ao ler uma matéria legal do João Henrique Marques para o Uol, explicando mudanças da tabela do Campeonato Paulista visando colocar o Santos, ou o Robinho, na TV aberta.
Destaco o parágrafo:
Apesar do otimismo das emissoras responsáveis pelas transmissões, a estreia do Rei das pedaladas, contra o São Paulo, no último domingo, não surtiu o efeito imaginado. Segundo números do Ibope, o jogo rendeu média de 17,7 pontos à TV Globo, com aumento de apenas um ponto, após a entrada do jogador em campo. Na semana anterior, o clássico Corinthians x Palmeiras, no Pacaembu, registrou média de 22 pontos à emissora carioca. Na Bandeirantes, o primeiro jogo de Robinho rendeu 7,4 pontos de média, contra 8,8 no domingo anterior
Isso é reflexo de uma decisão muito ruim tomada pela Globo em 2008 que agora está fazendo esse efeito perverso para o futebol e poucos clubes se deram conta, mas logo irão notar.
Ao transmitir apenas os jogos do Corinthinas na segunda divisão a emissora passou a mensagem de que apenas o clube de maior relevância era importante para o espectadores, não importa a qualidade do futebol, não importa que campeonato está disputando, importa que eu atinja os seguidores do clube de maior torcida.
Não tenho os números em mãos, mas é claro que a audiência retribuiu. A iniciativa deu certo, elevou os ratings a números expressivos e com isso adotou um novo patamar, com o dramático desespero do clube em retornar a primeira divisão. Os coadjuvantes deram uma força. Era muito provável que jogando contra clubes mais fracos, o Corinthians tinha chances de vitórias, transmitidas ao vivo, todas as quartas-feiras.
Passado a aventura do lado de lá, chega a questão: vale a pena insistir com os jogos de um clube só contra os outros, ou é importante voltar a focar nos campeonatos? Em 2009 a aposta continuou sendo na centralidade, ao ponto de um jogo isolado em uma quarta-feira, não uma peleja qualquer, mas a final da Libertadores da América, disputada naquela noite por um time mineiro, deixou de ser o Brasil na competição. Outras praças assistiram a um filme, como se fosse uma trégua do futebol na programação.
Esse centralismo desvaloriza o evento, mesmo sendo ele o mais idealizado pela emissora. Esse ano é o tudo ou nada do Corinthians na Libertadores e qualquer tentativa de mostra um futebol mais atraente, com outros clubes serão secundários. A formação da audiência em torno de um clube gera apenas a disputa entre torcedores x “detestadores”, agora incapaz de se transformar em torcedoras de futebol, fanáticas por jogos relevantes pela disputa do torneio sejam eles em pontos corridos ou copeiros.
Defendo aqui a retomada das rédeas pelo clube dos 13, que mude sua maneira de vender o seu produto. Que reparta os jogos dos campeonatos em pacotes e os comercialize sem monopólio. Que coloque a responsabilidade da emissora que comprar os 10 últimos jogos do campeonato, por exemplo, transmita os jogos dos líderes. Que o pacote dos clássicos tenha como contrapeso jogos pouco populares, etc. Se até a Liga Turca consegue mais dinheiro com a venda para tv, porque o campeonato penta campeão não pode se valorizar?
Assim os clubes conseguiram aumentar suas cotas de patrocínios nas camisas. Valorizaremos os clubes, com melhor organização e competência em montar boas equipes. Faremos com que jogadores possam ficar mais tempo por aqui antes de partirem para o futebol do leste europeu. Ou então, daqui a pouco será o time preto e branco contra os coloridos.